25 de fevereiro de 2017

Diamonds in my eyes

"I want eagles in my day dreams, diamonds in my eyes/
I'm a Blackstar, I'm a Blackstar (...)"


Adeus

30 de janeiro de 2017

Que volte o dia

Que volte o dia em que aqui estavas
Em que não medias o amor que existia
Que volte o dia em que me ria
Em que te abraçava, em que te sentia
Que volte o dia em que nos olhos via
Paixão, amor, lá se dizia
Que volte o dia em que em tudo eu cria
Mesmo quando a chuva caía
Que volte o dia em que te tinha
Que volte o dia em que eu te queria
(...) 
E de tudo, nada merecia
Preferiste fraqueza
Ódio, tristeza
Ao amor e ao que ele pedia

Não te tenho a ti nem me tens a mim
Apaixonados, inquietos, sonhadores (...)
Já não és quem eu amei
Já não somos quem fomos
Que volte o dia
O dia em que não nos conhecia.





18 de novembro de 2016

O "Nosso estranho amor"

"Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Desse nosso estranho amor"


*Caetano Veloso

...


Adeus

15 de setembro de 2016

NEW YORK CITY, HERE I GO

Decisão de última hora, sonho de anos.
Demorei pouco mais de uma hora a alistar tudo o que quero ver na cidade que não dorme. Devo dizer-vos que são imensas coisas. NBC e NYU estão lá, como devem saber, 'cause you all know me.
Quem me conhece pode estar, neste momento, preocupado com a minha saúde mental. Podem perguntar-se como é que tenho dormido de noite, como tenho respirado fundo, como tenho passado os dias sem me entusiasmar muito.
Well, a verdade é que tenho estado calma. Talvez porque estou na fase de planear e isso mantém o meu cérebro ocupado.


Sei que não vou sair com vontade. 
Vão ter que me arrancar de lá.


Adeus

12 de junho de 2016

"Cada palavra dita é a voz de um morto"


Os anos passam e Pessoa imortaliza-se. 
Encontraram mais um. 
E quantos mais estarão por encontrar...



Cada palavra dita é a voz de um morto.
Quem na voz, não em si, viveu absorto.
Se ser Homem é pouco, e grande só
Em dar voz ao valor das nossas penas
E ao que de sonho e nosso fica em nós
Do universo que por nós roçou
Se é maior ser um Deus, que diz apenas
Com a vida o que o Homem com a voz:
Maior ainda é ser como o Destino
Que tem o silêncio por seu hino
E cuja face nunca se mostrou.
Aniquilou-se quem se não velou.

Poema escrito por Fernando Pessoa na travessia do Atlântico, em 1918
Adeus

5 de junho de 2016

Perguntaram, respondi.

Quando entramos no mundo da universidade, entramos só e apenas nesse mesmo mundo, o da universidade. Nunca no mundo das notícias. Nunca no mundo real - que acontece todos os dias. A universidade não chega a ser um cheirinho daquilo que nos espera, mais tarde, na vida profissional. Digo-vos eu, que deixei as aulas há pouco mais de dois anos. 
Mas, quando é que tudo começa? Tudo começa na loucura de querermos ser jornalistas. No início não sabemos ao certo o que é ser jornalista. Alguns gostam só de escrever - sobre isto ou aquilo e não de algo em especifico. - Outros gostam de brilhar em frente à câmara e outros, os da rádio…esses já têm o bichinho bem entranhado e sabem sempre o que querem. Muitos pensam em ser jornalistas mas muitos outros nem sequer pensam em coisa alguma. Muitos dos que querem ser jornalistas desistem a meio caminho por falta de loucura, outros - aqueles que nem sequer pensavam em coisa alguma - ou são loucos e seguem o caminho dos jornais, ou lá se encaminham para outra área, de preferência que pague melhor e que seja mais tranquila. 
Trabalho em televisão desde que me licenciei em Ciências da Comunicação. Estou no meio dos média há bem pouco tempo e faço jornalismo de jornalismo. A televisão é isso mesmo, noticiar o noticiado. Noticiar do papel para a televisão. 
O dia a dia não é rosas. Ser jornalista televisivo tem muitas linhas para coser muitas meias. Vida de jornalista televisivo não é só fotografias na sala de caracterização/maquilhagem e gente gira a passear microfones com símbolos de diferentes estações. Há dias bons, há dias maus, há dias ótimos e há dias em que nos questionamos o porquê de não termos ido para padeiros, médicos ou músicos. 
Ser jornalista é saber que nada se sabe até tudo se saber. Nada é certo. Tudo é imprevisível. O mundo é imprevisível. A notícia é um acaso e o jornalista é o contador da história desse acaso. O jornalista tenta acompanhar o futuro mesmo sabendo que o presente é o protagonista da história. O jornalista não tem a vida programada, tanto acorda às quatro da manhã como se deita a essa hora.
Para se ser jornalista são necessárias três coisas. Resistência, curiosidade e claro, loucura. Só o louco sonha, só o louco alcança e só o louco consegue contar a história da melhor maneira possível e ser jornalista é isso mesmo, contar uma história da melhor maneira possível. 

Adeus

2 de maio de 2016

Azevinho

Olá, cantinho onde tudo flui sem regra. 
Estás bom?
Tenho tanto para contar


- comecemos por aqui - 

Reino Maravilhoso a mostrar o quão mágico é:


Sim, é uma árvore de azevinho. Sim, naquele sitio.
Obrigada universo.
Obrigada por me ajudares a decidir qual a capa do livro. 

Adeus



30 de novembro de 2015

Resta-nos ser livres

Há 80 anos morria o génio. 
Na altura, ninguém que por ele passava sabia quem ali estava. Não conheciam as personagens que lhe massacravam as noites, não sabiam das cartas que o alimentavam nem sabiam das verdades que se escondiam naquele baú de madeira. 
Naquele 30 de Novembro de 1935, marcaram-se, numa folha de papel velho, o nome e a hora de um génio, como faziam com qualquer outro protagonista da morte. Não sabiam, na altura, que aquele corpo era vítima de si próprio e que o papel dele era tudo o que a vida lhe queria. Ninguém sabia, naquele hospital, que aquele génio ficaria vivo até aos dias de hoje.
Ele escrevia para ser livre mas só conseguiu ser recordado. Recordado por todas as vidas que criou, por todos os sentimentos que escreveu, por todos os estados de alma que tinha e por apenas um amor. 
Fernando Nogueira Pessoa fazia hoje para ser recordado amanhã e nós, tal como ele nos diz na última frase que escreveu*, não sabemos o que o amanhã trará. Resta-nos ser génios de nós próprios, resta-nos ser livres, resta-nos fazer hoje para, quando o nosso nome for escrito no papel velho do hospital, sermos recordados por aquilo que de mais simples fizemos em vida: Termos sido livres.


* "I know not what tomorrow will bring"
29 de Novembro de 1935 



Fernando Nogueira Pessoa
(13 de Junho de 1888 - 30 Novembro de 1935)

Adeus

12 de novembro de 2015

As filhas bilingues

Dezassete e cinquenta e dois, alfa, sentido Lisboa-Porto.
Duas irmãs, entre os sete/nove anos e com diferença de um ou dois entre elas. Vestimentas iguais, cor-de-rosa choque e, nos peitos, um "RL" - presume-se que sejam as iniciais da Ralph Lauren. Falam pelos cotovelos e falam em duas línguas. Inglês do Reino Unido e um português de Portugal com um sotaque a inclinar para o português do Brasil. A mãe, cabelo negro, olhos do mesmo tom, pele ligeiramente morena, claramente de origem indiana e fisicamente igual a Mindy Kaling. O “vovô” e a “vovó”, como as pequenas lhes chamam, nos bancos ao lado. Estes avós são portugueses. Ele lê o Expresso e ela, enquanto coloca vaselina à volta dos olhos, lê a Maria. Nota-se o sotaque do norte quando perguntam às netas se querem o lanchinho que lhes trouxeram. As irmãs falam alto, e muito, não fossem elas crianças bilingues. Misturam o inglês com o português enquanto discutem quem adivinha as respostas de um jogo de traduções. Espalharam as folhas e as canetas na mesa dobravel do comboio, que haviam tirado da bolsa roxa que gritava o fenómeno Violeta, o qual, percebo agora, também chegou ao Reino Unido. Se a mãe ajuda nas respostas… elas gritam logo: "Pára de guess, pára de guess!". O vovô pede-lhes para falarem mais baixo mas pouco lhe adianta, até porque o jogo está a ficar divertido e o resto da carruagem já está a aceitar o nível dos decibéis.
Atrás de mim está alguém ao telefone, a falar de programação, projetos e versões de alguma tecnologia qualquer. Não conheço a pessoa mas não me vou atrever a virar o pescoço a 180 graus só para poder associar uma cara à voz que já estou a ouvir há uma hora. Longe de mim estar a furar onde não devo mas os meus ouvidos são livres e o meu cérebro acompanha-os. O discurso faz dele alguém eloquente, assertivo, rigoroso e profissional. Fala da sapo, da galp e de produtos importantes que pediram à empresa onde ele trabalha. Enquanto, por um lado, grita estrangeirismos tecnológicos, por outro, solta um “pá” e “gajos” mas nada disso faz dele menos credível. Uma das crianças, após tanta jogatina com a irmã e com a mãe Mindy, decidiu ficar enjoada. Enquanto trocam de lugares entre elas, a televisão mostra uma aula de ioga para cães. A criança decide piorar do enjoo e a mãe Mindy, como mãe coruja que é, vai procurar um saco para a filha bilingue vomitar. Toda a carruagem ouviu a viagem do almoço da menina para o saco que a mãe encontrou. Enquanto o almoço saía, os “upgrades do gajo” de trás estão a “correr muito bem” para que “já na segunda feira se façam os testes”. O vovô português está preocupado com a neta e a vovó já dorme; aquele dormir que só as avós têm. Aquele dormir em que, ao serem acordadas, afirmam que não estavam a dormir e que estavam "a ver a novela".
O meu vizinho do banco está a ler Pedro Mexia e, lá atrás e provavelmente ao lado do “gajo” da programação, está um casal de italianos. Oiço-os a falarem de pizza e de massas com molho de tomate. Mentira. Não é disso que falam, pelo menos fora do meu cérebro. As crianças bilingues já acalmaram, o vovô está quase a terminar o jornal, o programa de ioga para cães já acabou, o programador continua a sua reunião via telefone e eu…eu estou prestes a ir buscar um saco para mim, bem parecido com aquele que a mãe Mindy foi buscar para a cria.

Adeus

10 de outubro de 2015

Basta um olhar

Não têm medo do casamento?
Saber que nos estamos a comprometer a não nos cairmos de queixos por mais alguém....Que decisão difícil. É tão fácil cair de queixos. É tão fácil gostar. É tão fácil. Basta um olhar. Bastam um olhar e umas palavras e já está. Espetamo-nos na aventura da sedução e só reparamos nisso quando já lançamos, entre corredores, olhares, sorrisos e mais um olhar. Quando, no escritório, já trocamos de caminhos só para passar à frente da secretária dele. Sabemos, a este ponto, que está tudo entornado e às tantas já nos olhamos ao espelho a pensarmos: - O que estás a fazer? 
É tão natural seduzir e ser seduzido. É tão bom sentir os olhos dele em nós. É tão confortável adormecer a criar diálogos inexistentes. Já está. Já estamos comprometidas a cada movimento dele. E, enquanto pensamos no quão bom seria esbarrar contra a satisfação, ao nosso lado está quem espera o nosso olhar, o nosso sorriso e o nosso outro olhar. Somos egoístas e continuamos a pensar no quão bom seria aquele intervalo para o café. Adormecemos. No dia a seguir, vamos pelo terceiro corredor cruzado, com um café já frio na mão e esbarramos contra ele, o desejo. Não sujamos a camisa com café mas sujamos a dignidade. Ele beija-nos. Nesse segundo pensamos em quem está à espera do nosso olhar, do nosso sorriso e do nosso outro olhar, em casa, ao fim do dia. Somos egoístas e beijamos de volta. E agora? Perguntamo-nos. Não deveria ter cruzado o corredor.



Adeus  

17 de setembro de 2015

Imagino o dia em que me apareces à porta

Imagino o dia em que me apareces à porta. Imagino a minha reação e todos os dias imagino uma diferente. Não compreendo o limite do que amo. Amo tanto. Amo-te tanto. Todos os dias. E amanhã... odeio-te. Odeio-te tanto.
Espero que a minha reação seja como aquela que te viu ir embora, enquanto de empurrei pelo elevador. Essa seria a reação que imagino neste instante. Não quereres ir. Empurrar-te. Saber que fomos felizes. Saber que vais voltar em minutos. 
Nunca o sol brilhou tanto naquela cidade. Acordou feliz e adormeceu aconchegado. Vivemos. Rimos. Conversamos. Lemos. Ouvimos. Dançamos contemporânea. Fomos felizes. Sei que sou feliz quando danço contemporânea no chão do quarto. 
E tu? Livre. Sempre foste. Como um pássaro. E que bem que ficava um jogo de nomes de pássaros com o teu nome. Que bem que ficava. Que saudades de juntar qualquer palavra com as vogais do teu nome e disso resultar palavras como mamélsias. Essa foi a minha melhor criação e tu, ao ouvi-la, gritaste, com toda a força e como só tu sabes fazê-lo. Que grito. Que voz. 
Não vou fazer mais jogos de nomes. Não vou pensar mais no sol que brilhava lá fora enquanto se dançava no chão. Sabes porquê? Porque a música já não é a mesma e tu...tu foste embora de empurrão e nunca vais voltaste. Eu? Eu vou tirar a mão do queixo e não vou pensar mais nisto. Imagino o dia em que me apareces à porta. Imagino a minha reação. Espero que seja aquela que deveria ter tido quando te empurrei para o elevador. Aquela que eu queria ter tido se soubesse que nunca mais voltarias. 
Eu sei que fui eu quem te empurrou. Eu sei. Culpa-me por isso. Culpo-te por tanta outra coisa. Não me perguntes por que razão me fui embora. Ainda não sei responder-te. Não o faças. Nunca mais o faças. Cada letra dessa pergunta é dor. 
Se valeu a pena? Imagino o dia em que me apareces à porta.



Adeus

A liberdade

"A liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo." 
Ai, Jorge Palma...

Adeus

O número é o mesmo

Estava com medo que nunca mais viesses aqui. Estás aí. Eu sei que estás aí. Foges de tudo, não é? 
Sabes que te vão dizer as mesmas palavras até deixares de seres como tens sido. Não interessa. Não é isso que quero que saibas. Sábado é para nós, sabes? Mais para mim do que para ti, é verdade. Tu lembras-te do primeiro, tal como eu. E do segundo, que a garcia atirou para praça pública. Vão estar todos lá, em papel. Todos. São teus, e tu sabes. São nossos. Quero saber de ti. Nunca te senti tão longe. Onde paraste, desta vez? Continuas a cozinhar às 4 da manhã? Continuas a ser a Consuela que todos querem ter em casa? Continuas a respirar alto e a falar à tenor? Continuas a ver o Hollywood enquanto passas a língua na mortalha e a ostentar o nariz como nada fosse? Continuas a ser irónico, arrogante e insolente, como o pavão um dia disse? Liga-me, o número é o mesmo.

Adeus

23 de agosto de 2015

Turco

Estou de férias, amigos.
Daqui a poucos dias regresso cheia de fotografias deste grande passeio.
Fiquem com um turco que por lá encontrei.



Adeus

29 de junho de 2015

Que tramada fui

Silenciamos tudo e nada nos serviu
O cheiro que não tens
Não ter decidido nada
Desculpa se assim foi
Desculpa-me a trapalhada.
Devagar, fomo-nos dando
Rápido nos afastamos
Não por ti, pelos dois
Não por ti, mas por amarmos
Por tudo e por tudo, 
Por nós e pelo calor
Que sabes tanto de mim
E eu de ti só o amor
Sabemos tanto, tanto,
Sabemos tanto um do outro
Foi esplêndido
Tudo esplêndido
Do mar à terra e do centro ao lado
Foi tão mas tão...
Foi tocar no sol
No conforto de um lar
Foi tocar em ti
Ah, aquilo foi amar
És o lar sem cheiro
És o lar com voz
És o lar que me faz respirar
És o lar dos olhos cinzentos com chuva
Azul com o céu e verdes ao olhar
Respiraste-me alegria, paixão e Vida
O sossego éramos nós
Éramos tudo o que queria
Que tramada fui por desistir
Do lar que tanto éramos
Que tramada fui por nos iludir
Que isto tudo era eterno



Adeus

24 de junho de 2015

Não me venham falar disso

Odeio o Porto e odeio o São João.
Odeio, odeio, odeio.
De cá de dentro...vomito tristeza. 
Esta noite de 23 para 24 dá-me náuseas.
Mesmo no meio da felicidade, das brasas para assar o robalo - porque nem sardinhas já havia - dos amigos, dos manjericos, e dizem, do amor, aquela noite conseguiu ser a mais infeliz da minha vida - De mim para mim e comigo mesma.
Completamente impotente e vendo a felicidade ao lado de Júpiter.
Aguentei tudo mas caí. 
Agora...aguento tudo e às vezes caio.
Não quis ver os jornais da noite de hoje, porque as memórias iriam chegar.
Não quis abrir videos no instagram, porque os sons dos martelos iriam soar-me mal.
Não quis terminar de ler estados que falassem disto.
Que dia tão feio, festivo para uns e fucked up para outros.
Não me venham falar de martelos nem de sardinhas.
Não me venham falar do fogo de artifício e não me venham falar daquela cumplicidade toda.
Não me venham falar do Porto. 
Nunca fui feliz naquela cidade.
E nem lhe vou dar essa hipótese. 

Obrigada, galão de freixo.
De mim para ti.


Adeus