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31 de maio de 2015

O Marão guardou o sol

30 de Maio de 2015

Por muito que não voltasses
Eu puxava-te e imaginava
Quando um dia nos amasses
E como estaria alucinada.

Como eucalipto resisti
A tempestades tenebrosas
E sempre me mantive ali
Com poesias vergonhosas

Do tanto que te conheço
Muito do pouco eu sabia
Que de muito te mereço
E que sempre te amaria.

Cheguei ao céu e tu, polar
A simone gritava pecador 
Promessas que queriam tornar
E a anos-luz de qualquer dor!

O Marão guardou o sol
Prometeste vê-lo nascer
O presente fez-te esquecer
E nós a apodrecer

O Marão guardou o sol,
Segredos e confissões.
Nós guardamos a saudade,
sonhos e projeções.

Depois de tantos sóis e juras de parte
Sei com sentido e posso contar-te
Que mais especial do que aquela vila
Só mesmo a estrela e o amar-te.


 Adeus

20 de janeiro de 2015

Quando a alma

Quando a alma insiste
Nunca te confortes
-Está espalhado a nossos olhos
Por muito que te comportes-

Quando a alma persiste
Sempre me conquista
-Tropeço águas aos molhos
E nem te pus a vista-

Quando a alma desiste
Nunca saberei ao certo
-Que alma foi esta tão triste
Que deixa o livro reaberto-



Adeus

27 de outubro de 2014

Seja aqui ou no Marão

Não vão ser malas arrumadas
Não vão ser horas na estrada
Não vão ser vidas traçadas
Que sararão setas cravadas

Não serão só os raios do Marão
A cumprir alguma ocasião
Não serei eu a gritar as frentes
Mas vais ser tu - a quem só mentes.

E que o bicho é este?
Que nos faz ir e voltar
Que de tão sublime que é
Se tenta em retornar

Ele, que não é veneno
-É puro e não sereno
E no tangível disso tudo
É amor! Digo sem medo

E no fim,
será nada!
E de ser nada - será tudo.
-Tudo o que nos fará ir e voltar
P'ros segredos deste mundo

Até lá,
 ficamos assim,
no momento em que eu me dou
no momento em que te dás
E enquanto houver estrada para andar
a gente vai continuar

E não, não te peço comodismo
Peço-te paralelismo
Sem julgamento, com dedicação
Não cair em esquecimento
Nem em nada de ilusão
Peço-te aquela paixão
Todo o brio e satisfação
Peço-te ardor e alimento
Sem qualquer ilação

 E a cada visita dada
 Que sigamos pelo mesmo caminho
Faz cumprir a ocasião!
Seja aqui ou no Marão


Itálicos de António variações e Jorge Palma


Adeus

11 de julho de 2014

Se um dia perceberes

Se um dia perceberes
Não percebas

Sente mais, percebe menos
Sente aquilo que te derem
Aquilo que de pouco tu dás
Pouco é o que perceberás

Tu, que nunca sentirás 
Tu, que nem o farás
Sente aquilo que te derem
Percebe pouco do que sentes

Perceber é inimigo do sentir
Entender é inimigo do amar
Se um dia perceberes
Nunca mais amarás

Adeus

Em tardes de Verão

Em tardes de verão
Sinto-te perto e no meu ombro
Sinto o cheiro a oliveira
Sinto-te encostado no meu rosto

Relembro palavras e confusões
Relembro-te inteiro, em meias paixões
Tento esquecer palavras em vão,
Tento esquecer gestos e confissões

No céu há mais um caminho
Pintado de ódio e daquele amor
Cheiro-te na memória e no carinho
Que insiste em ficar, sem pudor

Guio o carro pela colina
Onde o sol se divide por tudo
Esconde-se com vergonha da sina
E brilha como se fosse mudo

À sombra o passar do vento
Arrefece os assentos escaldados
Pelo calor que um dia infernou
O céu no lugar dos amados

É em tardes de verão
Que te amo com carinho
Relembro a ilusão
E odeio-te, de mansinho


Adeus

21 de junho de 2014

Diz-me tudo!

Diz-me tudo!
Diz-me a verdade
Há tanta suavidade em tudo se dizer
Em tudo se entender
Tudo inteiro
De sentir e de ver...
Diz-me tudo
Não deixes esquecer
Talvez amanhã
Numa outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada
Mas ali fui feliz
Não me deixes com nada


Adeus


Receção de grau máximo ao poema "Não digas nada!" de Fernando Pessoa

20 de junho de 2014

Perdemo-nos

Perdemo-nos, amor.
Perdemos as palavras que nos aconchegavam,
Os beijos que nos faziam amar
A compatibilidade que nos alimentava
Os olhares que nos faziam parar

Perdemo-nos, amor
Perdemo-nos
E ninguém nos vai encontrar

Talvez nós
Num talvez de lá
Que nos destine
E que nos amará

Adeus

6 de junho de 2014

O amor é isto

Não sei como conseguiste
Atingir este meu estado de nada
Nos dias normais em que fugiste
Era por tudo sacrificada

Agora fica o medo
Este medo que eu tenho
De te amar e de te perder
De te amar e fazer-te estranho

Não vejo a luz em mim
Mas sei vê-la em mais alguém
Dá-me tempo para conseguir
Vê-la em mim e em nós também

Talvez a razão de saber
que estás melhor como tens estado
É por te amar que quero
Que não te agarres ao passado

O amor, esse, nunca aquém
Cada gesto e cada toque
Não mentem a ninguém

E esse amor 
Que de tudo nada tem
Que nunca me sufoque
E nos leve p'ró além

Adeus

Itálicos de referência  à música "Devagar" - Ornatos Violeta

1 de junho de 2014

Daqueles que deste

Cheiras bem
Dá-me beijos, dá-me tantos
Sinto-te perto
Dá-me beijos
Sinto-te em mim
Dá-me amor
Dá-me tanto
Dá-me tudo o que deste
Dá-me pouco de tudo
Dá-me, dá-me muito
Dá-me o que dali trouxe
Dá-me, dá-me beijos
Daqueles que deste

itálicos: referência a Fernando Pessoa

Adeus

25 de maio de 2014

Poucas são nenhumas

Tudo em mim me diz para
Ter saudades tuas, tantas delas e poucas de nenhumas
Tuas, as muitas que nem sentes e que poucas são nenhumas
Minhas, as poucas que não sinto e que poucas são muitas
Nossas, que tuas são poucas e minhas contigo muitas
Tudo em mim me diz
Que o que quero sentir não são só saudades
Quero perdê-las em minutos e ganhá-las em segundos
Quero apagá-las - As muitas que sinto
E aquelas que tu sentes, que poucas são nenhumas

Adeus



7 de maio de 2014

O amor não murchou

Enrolar-me na mágoa
De um passado não vivido
Almofada em água
Por um futuro dividido

Sentimentos perdidos
Não estarão em questão
Não foram prometidos
E vão todos em vão

E os pensamentos?
Que me tocam 
Como se tivessem mãos
Massacram-me em silêncios
E não se perdem, 
Encontram-se vilãos

E agora que a vida
À força me acordou
-Verdade estabelecida-
O amor não murchou

Adeus

2 de maio de 2014

Eu não vivo conformada

Não é a verdade que escondes
É a mentira que marcas
É a realidade enganada
A realidade que abafas

Talvez possa entender
Que as palavras te cortem o ar
Mas tu sabias, tu sabias
Que a ignorância me iria chocar

Palavras que podias dizer
Nem essas cá chegam
E eu? Vejo-me derreter
Neste amor que me pregam

E não é com esta estalada
Que te peço para ires
Eu não vivo conformada
Por muito que o pedires




Adeus 

21 de abril de 2014

Somos feitos de liberdade

Que química é esta tão viciante
Esta que nos vai alimentando
Não dês honra, não dês
Sabes que é aliciante
Estas aragens de vício
Não dão honras, vão matando
E nós? Vivemos desta saudade
Que nos vai aconchegando
 E quando um dia deixares
De ter esse cheiro, de me beijares 
Somos feitos de liberdade
E chega o dia de nos deixares

Adeus

12 de abril de 2014

Não terá sido o amor que nos matou?

Desatamos o cordão que nos atou
Concordamos com a corda q'acordou
Gritamos com o grito de amor
E ficamos felizes com esse ardor
Desatamos a voz que nos chamou
Gritamos que ela nos enganou
Não terá sido o amor que nos matou?

Adeus






São posições de margens secretas

Sentada em sonhos de frescura leve
Sinto o vento a bater-nos nos ombros
Ele encosta a cabeça - permissão não a pede -
E com esse gesto se esquecem escombros
Não! As margens secretas não são estas
Nestas partilhamos sorrisos e plágios
E nos outras?
Nas outras somos breves presságios
Breves como o vento que nos bate nos ombros
Que nos faz esquecer os escombros
Permissão? Nunca a peças
São posições de margens secretas

Adeus

29 de março de 2014

Estórias de Amor

Por cá gritam-se estórias
De lágrimas e loucuras
Gritam-se ensaios, ideias
E fardos de amarguras

Tropeça-se em promessas
Em vinganças e muita dor
Não ouvíssemos estórias essas
Todas elas estórias de amor

Ele é veneno que mata
Que faz do coração tripas
Que a água desidrata
Que esconde espinhos em tulipas 

O toque cria o aviso
Está na hora do antídoto
Sabem que não é preciso
Mas fazem-no de improviso

Não estamos no mesmo sitio
No mesmo onde nos deixei
Afinal estamos no hospício
No lugar onde nos internei

Adeus



28 de fevereiro de 2014

Voltamos ao início, meu amor

E esta paixão
Amaldiçoada como o tremoço
Onde adormeço em criação
E acordo em alvoroço?

Se pudesses perceber
O limite que me dás
Assim, só de presença
E a alteração que me faz

Queria ficar em amores
E em grandes silêncios
Que constrangedores
Que pedaços esplêndidos!

Não, não gastamos as palavras*
Nem pela rua
Nem tão pouco pela dor

Palavras que estremecem
A teu olhar e a teu jeito
Os olhos não dizem mas parecem
Percorrer-me com todo o peito

Basta uma por ti dita
Pra meu caminho me deixar
Num pranto d'vontade aflita
De nunca deixar de te amar

Vamos ainda hoje
Gastá-las por essa rua
E dar de nós para nós
O prazer d'uma promessa tua

E já o mestre dizia
Que quem muito sente, cala.
Quem quer dizer quanto sente,
(...) Fica só, inteiramente. 

Já rodopiamos canções
Mas nunca do mesmo cantor
E de um remoinho de emoções
Voltamos ao inicio, meu amor


* Referência ao poema "Já gastamos as palavras pela rua, meu amor" de Eugénio de Andrade 
Itálico: Fernando Pessoa no poema "O amor quando se revela"

Adeus

20 de janeiro de 2014

Estar e continuar

Juntam-se uma a uma
As peças de cada tabuleiro
E agora penso
Que talvez não faça nem diga
As letras que um dia
Muito pouco senti
Mas estou aqui
Com muito menos, muito menos
E muito dele foi por ti
O que um dia escrevi
nos devaneios da noite
nunca o menti
mas perdi
Podia nem isso ser
E não é, até
Foi só um parecer
Talvez não queira amar
Queira só receber
Aquilo que saberemos dar
Quando nos bem entender
E quando eu penso
que estou apaixonada
Talvez só queira isso mesmo
Estar
E continuar


Adeus


13 de janeiro de 2014

Lá no além

O meu futuro não está comigo
Nem contigo
Muito menos com alguém
Porque o futuro não está com ninguém
Mas estará
Comigo e contigo
Lá no além

O presente sorrirá
E o tempo espantará
Todos os males passados
A que fomos habituados

E tudo o que fiz e farei
Nada me dá
Mas lá no além
Temos um futuro com alguém
Onde o presente sorrirá

Adeus



2 de janeiro de 2014

Para o outro lado da sala

Confusões na mente que nada são
Memórias que por ali andam
Atrás de quem não chegarão
E que em mim - comandam

Choro sensações em palco
Onde os atores não estão
Tristeza é o que mais recalco
Não estaria eu em combustão

Correr por gosto cansa
Por desgosto é exaustão
Palavro-me com esperança
Que não vale nem paixão

Seja talvez a hora de olhar
Para o outro lado da sala
Encontrá-lo e parar
De me matar com outra bala

Adeus