18 de abril de 2014

No Vacations at all

Ontem fui às compras com a minha mãe. Até parece um plano interessante para uma adolescente mas a verdade é que as compras foram no AKI e na Casa Peixoto. Para quem não conhece são lojas com as mais variadas cenas para construir outras variadas cenas, resumindo, são grandes mercados de material de construção. 
Consegui passar 50% da tarde a montar um balde do lixo! Não era um balde normal, era daqueles que ficam seguros na porta e que fazem o efeito de surpreender quem vai abrir o armário. Digo-vos, já mudei de casa umas vezes, sei o quão difícil é desmontar e montar mobílias... mas aquele balde...aquele balde deu cabo de mim. Mais fácil foi a varão da sala, umas buchas e uns pregos e voilá.
O resto da tarde? Não, não adiantei o trabalho de Economia sobre a Primavera Árabe, muito menos o relatório de estágio. Estive a limpar o quarto. Sim, porque a tarde não podia ficar mais divertida.
Este dia teria passado para o top das No Vacations At All se, à noite, não tivesse ido tomar um real café e comer um belo de um crepe do foz com as migas. Ah, tenho de registar o momento em que a cidade estava cheia de gente. Verdade, tropeçava-se em pessoas, até pareciam as Festas d'Agonia! Mas não: era a noite das visitas às igrejas. A quantas é que fomos? Foi a um número par, como manda a tradição. Foi a zero.

Viana at night

Adeus

17 de abril de 2014

Férias

Chegaram as férias mas de férias não têm nada. Com exceção dos horários, claro. Acordar no horário de almoço é bem típico de férias, e, se esquecermos o trabalho de Economia sobre a Primavera Árabe e o relatório de estágio que temos de fazer, sim, até parecem umas verdadeiras férias. Já para não falar das dez fitas que tenho de escrever.
E isto de ser finalista? Invocam-se a felicidade e a alegria de ficar com o canudo na mão mas a verdade é que de bonito não tem nada. É um fecho de ciclo e despedidas nunca me caem bem. Não há pior momento do que a despedida. A despedida traz saudade, tristeza e melancolia. O canudo, de um ponto de vista dramático e simultaneamente realista, não nos traz nada. É verdade. Afinal isto de ser finalista é um bocadinho pior do que se faz parecer.
Falando de dramas muito menos realistas, chega-se ao facebook e toda a gente fala de Game of Thrones. Desculpem não fazer parte do grupo da moda mas confesso que nunca vi uma cena da tão afamada série, e está a parecer-me que não vou ver. Eu gosto de ser surpreendida e agora já sei que o Joffrey morreu.

Adeus

15 de abril de 2014

Sempre adequado, este mestre!

"Teus olhos entristecem 
Nem ouves o que digo. 
Dormem, sonham esquecem... 
Não me ouves, e prossigo. 

Digo o que já, de triste, 
Te disse tanta vez... 
Creio que nunca o ouviste 
De tão tua que és. 

Olhas-me de repente 
De um distante impreciso 
Com um olhar ausente. 
Começas um sorriso. 

Continuo a falar. 
Continuas ouvindo 
O que estás a pensar, 
Já quase não sorrindo. 

Até que neste ocioso 
Sumir da tarde fútil, 
Se esfolha silencioso 
O teu sorriso inútil. "

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Adeus

Fall in love

"I think anybody who falls in love is a freak. It's a crazy thing to do. It's kind of like a form of socially acceptable insanity."

HER

Adeus

12 de abril de 2014

Shameless


Adeus

Não terá sido o amor que nos matou?

Desatamos o cordão que nos atou
Concordamos com a corda q'acordou
Gritamos com o grito de amor
E ficamos felizes com esse ardor
Desatamos a voz que nos chamou
Gritamos que ela nos enganou
Não terá sido o amor que nos matou?

Adeus






São posições de margens secretas

Sentada em sonhos de frescura leve
Sinto o vento a bater-nos nos ombros
Ele encosta a cabeça - permissão não a pede -
E com esse gesto se esquecem escombros
Não! As margens secretas não são estas
Nestas partilhamos sorrisos e plágios
E nos outras?
Nas outras somos breves presságios
Breves como o vento que nos bate nos ombros
Que nos faz esquecer os escombros
Permissão? Nunca a peças
São posições de margens secretas

Adeus

9 de abril de 2014

Agora...nenhumas?

E isto de se fazer do silêncio uma resposta? Não está correto. Não, não, não!
Já as poucas palavras são poucas e de muitas estamos nós cheios.
Agora, o silêncio? O silêncio não.
O silêncio corrói.
Venham muitas e poucas ou algumas.
Isso, talvez algumas sejam as corretas.
Agora, nenhumas? Nenhumas não.

Adeus


Poema inédito de Fernando Pessoa

"Abaixo a guerra, a tirania
Abaixo os reis, morra a Igreja.
Não haja coração que seja
Inimigo da luz do dia"

Poema inacabado de Fernando Pessoa
Inédito ainda não publicado



Adeus

29 de março de 2014

Estórias de Amor

Por cá gritam-se estórias
De lágrimas e loucuras
Gritam-se ensaios, ideias
E fardos de amarguras

Tropeça-se em promessas
Em vinganças e muita dor
Não ouvíssemos estórias essas
Todas elas estórias de amor

Ele é veneno que mata
Que faz do coração tripas
Que a água desidrata
Que esconde espinhos em tulipas 

O toque cria o aviso
Está na hora do antídoto
Sabem que não é preciso
Mas fazem-no de improviso

Não estamos no mesmo sitio
No mesmo onde nos deixei
Afinal estamos no hospício
No lugar onde nos internei

Adeus



11 de março de 2014

Solidão

"Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida."

Fernando Pessoa
9-8-1931

Adeus

O meu lugar é sempre onde não estou

Há dias em que a vontade de arrumar os trapinhos da Vila encantada é intensa. 
Quando lá não estou, tenho preguiça de lá voltar. Quando lá estou, só me apetece ficar.
Talvez o que queira é ir embora, mudar de ares, conhecer outros nomes, odiar outras caras e amar outros corações. Talvez o que queira mesmo é dormir na minha almofada, passar o dia nas minhas aventuras por outros costumes, jantar com os meus pais, tomar café com os meus- aqueles que a universidade me apresentou - e à noite, voltar à minha almofada. Mas não vai ser assim. É certo que não será assim tão fácil. É certo que a minha almofada terá de ser outra daqui a uns meses e os jantares com os pais, esses, serão menos frequentes.
E ele? Gostar dele talvez influencie, ou não, nunca sabemos bem o que queremos, mesmo quando temos tudo nas nossas mãos, quanto mais quando as temos vazias...
Quero sair. Aqui não é o meu lugar. O meu lugar é sempre onde não estou. 
Vivo de saudades e o mais certo é morrer delas.

Adeus






10 de março de 2014

28 de fevereiro de 2014

Voltamos ao início, meu amor

E esta paixão
Amaldiçoada como o tremoço
Onde adormeço em criação
E acordo em alvoroço?

Se pudesses perceber
O limite que me dás
Assim, só de presença
E a alteração que me faz

Queria ficar em amores
E em grandes silêncios
Que constrangedores
Que pedaços esplêndidos!

Não, não gastamos as palavras*
Nem pela rua
Nem tão pouco pela dor

Palavras que estremecem
A teu olhar e a teu jeito
Os olhos não dizem mas parecem
Percorrer-me com todo o peito

Basta uma por ti dita
Pra meu caminho me deixar
Num pranto d'vontade aflita
De nunca deixar de te amar

Vamos ainda hoje
Gastá-las por essa rua
E dar de nós para nós
O prazer d'uma promessa tua

E já o mestre dizia
Que quem muito sente, cala.
Quem quer dizer quanto sente,
(...) Fica só, inteiramente. 

Já rodopiamos canções
Mas nunca do mesmo cantor
E de um remoinho de emoções
Voltamos ao inicio, meu amor


* Referência ao poema "Já gastamos as palavras pela rua, meu amor" de Eugénio de Andrade 
Itálico: Fernando Pessoa no poema "O amor quando se revela"

Adeus

Madrugar com côr é outra coisa


Adeus

Regresso da Lili à cidade maravilhosa


Adeus

Desatualizado

Estas duas semanas sem computador foram suficientes para ficar com o blogue desatualizado.
Tenho tanto o que escrever.

Adeus 

9 de fevereiro de 2014

Tenho o nome de uma flor - Eugénio de Andrade


"Tenho o nome de uma flor

quando me chamas.
Quando me tocas, 
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei."



in «As Mãos e os Frutos», 1948
Eugénio de Andrade

Adeus

28 de janeiro de 2014

Assim, milhentas

Tenho saudades.
Assim, milhentas. 
Tantas ao ponto de parecer o Walter Mitty de tanto imaginar.


Adeus