10 de março de 2014

28 de fevereiro de 2014

Voltamos ao início, meu amor

E esta paixão
Amaldiçoada como o tremoço
Onde adormeço em criação
E acordo em alvoroço?

Se pudesses perceber
O limite que me dás
Assim, só de presença
E a alteração que me faz

Queria ficar em amores
E em grandes silêncios
Que constrangedores
Que pedaços esplêndidos!

Não, não gastamos as palavras*
Nem pela rua
Nem tão pouco pela dor

Palavras que estremecem
A teu olhar e a teu jeito
Os olhos não dizem mas parecem
Percorrer-me com todo o peito

Basta uma por ti dita
Pra meu caminho me deixar
Num pranto d'vontade aflita
De nunca deixar de te amar

Vamos ainda hoje
Gastá-las por essa rua
E dar de nós para nós
O prazer d'uma promessa tua

E já o mestre dizia
Que quem muito sente, cala.
Quem quer dizer quanto sente,
(...) Fica só, inteiramente. 

Já rodopiamos canções
Mas nunca do mesmo cantor
E de um remoinho de emoções
Voltamos ao inicio, meu amor


* Referência ao poema "Já gastamos as palavras pela rua, meu amor" de Eugénio de Andrade 
Itálico: Fernando Pessoa no poema "O amor quando se revela"

Adeus

Madrugar com côr é outra coisa


Adeus

Regresso da Lili à cidade maravilhosa


Adeus

Desatualizado

Estas duas semanas sem computador foram suficientes para ficar com o blogue desatualizado.
Tenho tanto o que escrever.

Adeus 

9 de fevereiro de 2014

Tenho o nome de uma flor - Eugénio de Andrade


"Tenho o nome de uma flor

quando me chamas.
Quando me tocas, 
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei."



in «As Mãos e os Frutos», 1948
Eugénio de Andrade

Adeus

28 de janeiro de 2014

Assim, milhentas

Tenho saudades.
Assim, milhentas. 
Tantas ao ponto de parecer o Walter Mitty de tanto imaginar.


Adeus

20 de janeiro de 2014

Assaltei o disco

Assaltei o disco rígido. É verdade. Cada vez que o faço solto uma lágrima por cada mimo que encontro.
Cá ficam alguns:
Primeiros Nacionais de clubes
Quando o meu rabo era apresentável 
Quando nos armamos em "motocantes", como dizia o Pena
Meeting Internacional do Porto
Sendo estrela
No tempo em que correr acabava com os nossos problemas

Adeus


Sua Serapicos

Homem inteligente mexe com o meu coração.

Adeus

Estar e continuar

Juntam-se uma a uma
As peças de cada tabuleiro
E agora penso
Que talvez não faça nem diga
As letras que um dia
Muito pouco senti
Mas estou aqui
Com muito menos, muito menos
E muito dele foi por ti
O que um dia escrevi
nos devaneios da noite
nunca o menti
mas perdi
Podia nem isso ser
E não é, até
Foi só um parecer
Talvez não queira amar
Queira só receber
Aquilo que saberemos dar
Quando nos bem entender
E quando eu penso
que estou apaixonada
Talvez só queira isso mesmo
Estar
E continuar


Adeus


16 de janeiro de 2014

What city should you actually live in?

Decidi fazer um teste que me apareceu no feed de notícias do facebook, "What city should you actually live in? 
Uma série de perguntas ridículas fez decidir todas as minhas dúvidas em relação ao futuro. Melbourne? Dublin? Sydney? Não. 

I'm going to: Portland
"You are a free spirit, but not in the LA way, in the “you’re probably more cultured than most of your friends” way. You’re up-to-date on all the latest coffee brewing techniques, have a long list of local blogs you love to read, and can taste the organic goodness in every bite you eat. Move to Portland already, you sexy smarty pants."

Deixa cá ver então


Not bad. I can deal with this.

Mas como eu nunca estou satisfeita, voltei a fazer o teste e dei oportunidade a outras alíneas de respostas que também em pareciam aliciantes.
E então?

I'm going to: Barcelona
"You are a little bit of everything: half party, half pensive. You’re just as happy out clubbing as you are spending a long dinner with friends. You’re known to have a unique taste in everything, and you’re proud of it."

Provavelmente fico-me por Portland...Não quero tropeçar em espanhois mal educados, entregadores da telepizza com fatos da Dolce & Gabbana e bolas de ouro everywhere.
É. É Portland. Ou talvez Melbourne.
Acho que vou fazer o teste de novo.


Adeus

O que é o Sublime

Para Kant:
"(...) é um prazer que surge apenas indiretamente, ou seja, é produzido pelo sentido de um impedimento momentâneo, seguido de uma efusão mais forte das forças vitais e, por isso, enquanto emoção, não se apresenta de facto como um jogo, mas como algo de sério na atuação da imaginação. (...) O sublime é aquilo que causa espanto, admiração e até mesmo medo, pois é grandioso, diferente e assustador"

Para mim:
O sublime és tu.

Adeus

13 de janeiro de 2014

A Pequena aldeia de Marlón

I

Eram quase seis da manhã e já o Galo cantava. Na aldeia de Marlón era o Galo Artur, batizado por um louco que havia matado a mulher, que despertava os habitantes da aldeia, os marlóenses. 
Marlón era uma aldeia pequena, com quatro famílias e uma série de órfãos. A família Areijo, a mais abastada do sítio, gostava de soar o som do sino da sua própria capela, e todos os dias o fazia, numa espécie de competição com o Galo Artur. Os pais Areijo viviam bem, tinham 23 empregados e nunca haviam deixado faltar comida aos 15 filhos que tinham. A casa deles era um palácio aos olhos das restantes famílias de Marlón.
A família Verbitium, que vivia à frente da herdade dos Areijos, mantinha uma casa em pedra, na margem da ribeira da aldeia. Patrício, filho do casal Verbitium, tinha o hábito de pescar ali na costa, ainda de madrugada. Quando o Artur cantava já Patrício tinha o almoço pescado. 
Lídia e Fospício, pais de Patrício, levantavam-se mal o sol nascia. Calçavam as botas e iam para o campo montados na sua burra. O campo da família Verbitium ficava do outro lado da herdade da família Areijo, e de lá podia avistar-se o minúsculo quarto onde dormiam os 23 empregados do casarão.
Lídia, filha do Padre que morreu apedrejado pela aldeia, não tinha em boa conta os marlóenses. Fospício e Patrício eram tudo o que ela tinha.
Depois de regarem os legumes, que faziam parte da gastronomia diária da família, os Verbitium montavam a burra e regressavam a casa. Lídía, com o seu avental côr de mel, servia o almoço, peixe com cenouras, batatas e legumes. Mesmo sendo o mesmo prato de sempre, não deixavam de agradecer a Deus, ou ao seu Patrício, por ter pescado, mais uma vez, um grande atum para o almoço.
A aldeia de Marlón não tinha Igreja. Aliás, teve, em tempos. Mas isso foi antes dos marlóenses descobrirem que o Padre Penicas era pai de 13 filhos. Lídia era uma delas. Depois de apedrejarem o pároco até à morte, puseram fogo à Igreja sem antes se lembraram de ir buscar o dinheiro das missas que o Padre guardará nos cofres da paróquia. A aldeia não teve como construir outra igreja, mas isso não era problema para o povo. A capela da família Areijo metia três igrejas do Padre Penicas no bolso. Os Areijos, apesar de serem repugnáveis criaturas, acreditavam que nem o mais pobre, velho, bebêdo e ladrão deveria ser privado à casa do Senhor. Quase toda a população podia visitar a capela deles, apenas com algumas condições, não podiam entrar calçados, não podiam roubar as velas com fitas de seda que decoravam o altar, e no fim da reza tinham de deixar uma recompensa no cesto de palha da entrada.
Lídia não era bêbada nem tinha o hábito de roubar... mas era filha do Padre Penicas. Nenhum filho do falecido Penicas tinha permissão para entrar na capela dos Areijos. Lídia e os seus 12 irmãos orfãos estavam proibidos de pisar o chão da herdade.


Adeus

Lá no além

O meu futuro não está comigo
Nem contigo
Muito menos com alguém
Porque o futuro não está com ninguém
Mas estará
Comigo e contigo
Lá no além

O presente sorrirá
E o tempo espantará
Todos os males passados
A que fomos habituados

E tudo o que fiz e farei
Nada me dá
Mas lá no além
Temos um futuro com alguém
Onde o presente sorrirá

Adeus



Take de 12/01/14


Adeus



12 de janeiro de 2014

Nem parece Janeiro, tamanho dia


Não julguem pelo aspeto e pelo conteúdo. As cores não correspondem à realidade.
Se pudesse provar...
Há quem tenha gosto por mãos.
Poço negro (era este o título que querias? ahah)

Adeus

Bússola Cristã

Um sábado é produtivo quando nada se faz. Pois bem, hoje fui encontrar um blog com o título: Bússola Cristã  - assim caminha a humanidade. Neste pedaço de literatura encontrei a seguinte frase: "devemos viver como se morrêssemos amanhã, mas devemos sonhar como se vivêssemos eternamente."
Pois está claro que a frase não estaria na Bíblia, e daí, pensando bem.....
Quis deixá-la aqui porque, parecendo ou não cliché, tem a sua pinta de lógica, como todos os clichés, certamente. 
Não me perguntem o porquê de ter lido este pedaço cultural da plataforma de blogues, mas um sábado, como já disse lá em cima, só é produtivo quando nada se faz.

Adeus

Parte do projeto fotográfico de Alessandra Sanguinetti


Adeus