2 de maio de 2014

Eu não vivo conformada

Não é a verdade que escondes
É a mentira que marcas
É a realidade enganada
A realidade que abafas

Talvez possa entender
Que as palavras te cortem o ar
Mas tu sabias, tu sabias
Que a ignorância me iria chocar

Palavras que podias dizer
Nem essas cá chegam
E eu? Vejo-me derreter
Neste amor que me pregam

E não é com esta estalada
Que te peço para ires
Eu não vivo conformada
Por muito que o pedires




Adeus 

Is like a pigeon, a big one


Adeus

Tanto

Tanto o que dizer e não saber como o fazer. 
Amanhã, porque hoje já é tarde.

Adeus

21 de abril de 2014

Não falo das amêndoas nem da cruz

Páscoa, Páscoa. O que é mesmo a Páscoa, assim... na prática? É uma festividade, não sabendo ao certo o que se festeja, (sei, de facto, era só uma pitada de ironia) prefiro acreditar que é um dia no qual se junta a família toda à volta de uma mesa. Há quem almoce em união, aí o dia já pede um cabritinho, e há quem vá só para o lanche, nesse caso faz-se buffet à mesa mais calórica de todo o sempre. Depois chega a cruz, ámen ámen e continua-se debruçado na mesa, apesar de já se sentir o cinto apertado nas bordas da barriga. 
Mas é no fim do dia que nos apercebemos que o mais importante da Páscoa é sabermos que a tia Almerinda frequenta aulas de pilates, é sabermos que o Rodrigo se está a portar bem nas notas, é ouvirmos que estamos mais gordos ou mais magros, é ouvir as queixas dos indignados ou ouvir as histórias de como o tempo passa. O mais importante é sabermos uns dos outros. 
Cá em casa não houve Páscoa, e não falo das amêndoas nem da cruz, falo dessa união. Almocei sozinha e passei o domingo com a sweat de curso ao invés da melhor roupa para postar no Instagram. Se é triste? Ora, não. No sábado que vem vou queimar as fitas e é aí que vou festejar a minha Páscoa, e não falo das amêndoas nem da cruz, falo de ter a família à volta da mesa.  


PS: Tia Almerinda e Rodrigo são personagens fictícias, desculpem desiludir.

Adeus

Somos feitos de liberdade

Que química é esta tão viciante
Esta que nos vai alimentando
Não dês honra, não dês
Sabes que é aliciante
Estas aragens de vício
Não dão honras, vão matando
E nós? Vivemos desta saudade
Que nos vai aconchegando
 E quando um dia deixares
De ter esse cheiro, de me beijares 
Somos feitos de liberdade
E chega o dia de nos deixares

Adeus

20 de abril de 2014

A Dadá não quer fotografias

Tenho mesmo de ficar aqui?
Não quero fotos.
Já disse que não quero fotos.
Já posso ir embora?

Adeus

A mãe manda

Chegar a casa e ouvir a mãe dizer que tenho de ir comprar sapatos novos.
Ok. Ok. Ok. 
Pagas tu mas escolho eu.


Adeus

19 de abril de 2014

Aniversário do Vitó

Esta semana foi a semana do regresso ao passado. 
Vi gente que já não via há anos. Não fosse Viana a cidade mais pequena de sempre.
Algumas fotografias de uma grande noite: Grande jantarada com os melhores, com grande bolo de aniversário e com grande filme a acompanhar.


Adeus

18 de abril de 2014

No Vacations at all

Ontem fui às compras com a minha mãe. Até parece um plano interessante para uma adolescente mas a verdade é que as compras foram no AKI e na Casa Peixoto. Para quem não conhece são lojas com as mais variadas cenas para construir outras variadas cenas, resumindo, são grandes mercados de material de construção. 
Consegui passar 50% da tarde a montar um balde do lixo! Não era um balde normal, era daqueles que ficam seguros na porta e que fazem o efeito de surpreender quem vai abrir o armário. Digo-vos, já mudei de casa umas vezes, sei o quão difícil é desmontar e montar mobílias... mas aquele balde...aquele balde deu cabo de mim. Mais fácil foi a varão da sala, umas buchas e uns pregos e voilá.
O resto da tarde? Não, não adiantei o trabalho de Economia sobre a Primavera Árabe, muito menos o relatório de estágio. Estive a limpar o quarto. Sim, porque a tarde não podia ficar mais divertida.
Este dia teria passado para o top das No Vacations At All se, à noite, não tivesse ido tomar um real café e comer um belo de um crepe do foz com as migas. Ah, tenho de registar o momento em que a cidade estava cheia de gente. Verdade, tropeçava-se em pessoas, até pareciam as Festas d'Agonia! Mas não: era a noite das visitas às igrejas. A quantas é que fomos? Foi a um número par, como manda a tradição. Foi a zero.

Viana at night

Adeus

17 de abril de 2014

Férias

Chegaram as férias mas de férias não têm nada. Com exceção dos horários, claro. Acordar no horário de almoço é bem típico de férias, e, se esquecermos o trabalho de Economia sobre a Primavera Árabe e o relatório de estágio que temos de fazer, sim, até parecem umas verdadeiras férias. Já para não falar das dez fitas que tenho de escrever.
E isto de ser finalista? Invocam-se a felicidade e a alegria de ficar com o canudo na mão mas a verdade é que de bonito não tem nada. É um fecho de ciclo e despedidas nunca me caem bem. Não há pior momento do que a despedida. A despedida traz saudade, tristeza e melancolia. O canudo, de um ponto de vista dramático e simultaneamente realista, não nos traz nada. É verdade. Afinal isto de ser finalista é um bocadinho pior do que se faz parecer.
Falando de dramas muito menos realistas, chega-se ao facebook e toda a gente fala de Game of Thrones. Desculpem não fazer parte do grupo da moda mas confesso que nunca vi uma cena da tão afamada série, e está a parecer-me que não vou ver. Eu gosto de ser surpreendida e agora já sei que o Joffrey morreu.

Adeus

15 de abril de 2014

Sempre adequado, este mestre!

"Teus olhos entristecem 
Nem ouves o que digo. 
Dormem, sonham esquecem... 
Não me ouves, e prossigo. 

Digo o que já, de triste, 
Te disse tanta vez... 
Creio que nunca o ouviste 
De tão tua que és. 

Olhas-me de repente 
De um distante impreciso 
Com um olhar ausente. 
Começas um sorriso. 

Continuo a falar. 
Continuas ouvindo 
O que estás a pensar, 
Já quase não sorrindo. 

Até que neste ocioso 
Sumir da tarde fútil, 
Se esfolha silencioso 
O teu sorriso inútil. "

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Adeus

Fall in love

"I think anybody who falls in love is a freak. It's a crazy thing to do. It's kind of like a form of socially acceptable insanity."

HER

Adeus

12 de abril de 2014

Shameless


Adeus

Não terá sido o amor que nos matou?

Desatamos o cordão que nos atou
Concordamos com a corda q'acordou
Gritamos com o grito de amor
E ficamos felizes com esse ardor
Desatamos a voz que nos chamou
Gritamos que ela nos enganou
Não terá sido o amor que nos matou?

Adeus






São posições de margens secretas

Sentada em sonhos de frescura leve
Sinto o vento a bater-nos nos ombros
Ele encosta a cabeça - permissão não a pede -
E com esse gesto se esquecem escombros
Não! As margens secretas não são estas
Nestas partilhamos sorrisos e plágios
E nos outras?
Nas outras somos breves presságios
Breves como o vento que nos bate nos ombros
Que nos faz esquecer os escombros
Permissão? Nunca a peças
São posições de margens secretas

Adeus

9 de abril de 2014

Agora...nenhumas?

E isto de se fazer do silêncio uma resposta? Não está correto. Não, não, não!
Já as poucas palavras são poucas e de muitas estamos nós cheios.
Agora, o silêncio? O silêncio não.
O silêncio corrói.
Venham muitas e poucas ou algumas.
Isso, talvez algumas sejam as corretas.
Agora, nenhumas? Nenhumas não.

Adeus


Poema inédito de Fernando Pessoa

"Abaixo a guerra, a tirania
Abaixo os reis, morra a Igreja.
Não haja coração que seja
Inimigo da luz do dia"

Poema inacabado de Fernando Pessoa
Inédito ainda não publicado



Adeus

29 de março de 2014

Estórias de Amor

Por cá gritam-se estórias
De lágrimas e loucuras
Gritam-se ensaios, ideias
E fardos de amarguras

Tropeça-se em promessas
Em vinganças e muita dor
Não ouvíssemos estórias essas
Todas elas estórias de amor

Ele é veneno que mata
Que faz do coração tripas
Que a água desidrata
Que esconde espinhos em tulipas 

O toque cria o aviso
Está na hora do antídoto
Sabem que não é preciso
Mas fazem-no de improviso

Não estamos no mesmo sitio
No mesmo onde nos deixei
Afinal estamos no hospício
No lugar onde nos internei

Adeus



11 de março de 2014

Solidão

"Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida."

Fernando Pessoa
9-8-1931

Adeus

O meu lugar é sempre onde não estou

Há dias em que a vontade de arrumar os trapinhos da Vila encantada é intensa. 
Quando lá não estou, tenho preguiça de lá voltar. Quando lá estou, só me apetece ficar.
Talvez o que queira é ir embora, mudar de ares, conhecer outros nomes, odiar outras caras e amar outros corações. Talvez o que queira mesmo é dormir na minha almofada, passar o dia nas minhas aventuras por outros costumes, jantar com os meus pais, tomar café com os meus- aqueles que a universidade me apresentou - e à noite, voltar à minha almofada. Mas não vai ser assim. É certo que não será assim tão fácil. É certo que a minha almofada terá de ser outra daqui a uns meses e os jantares com os pais, esses, serão menos frequentes.
E ele? Gostar dele talvez influencie, ou não, nunca sabemos bem o que queremos, mesmo quando temos tudo nas nossas mãos, quanto mais quando as temos vazias...
Quero sair. Aqui não é o meu lugar. O meu lugar é sempre onde não estou. 
Vivo de saudades e o mais certo é morrer delas.

Adeus






10 de março de 2014